O Transpessoal no Mundo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 13 Junho 2012 16:13

 

A Psicoterapia Transpessoal


A Psicoterapia transpessoal trata em primeiro lugar do estudo da consciência humana nas suas muitas modalidades. É, na realidade, um campo psicoterapêutico relativamente novo, nascido, na sua formulação moderna/ recente sobretudo dos trabalhos de Abraham Maslow (1968) de Charles Tart (1969) quando publicaram o seu trabalho fundador/ inovador bem como do nascimento do Journal of Transpersonal Psychology nos Estados Unidos da América. A perspectiva transpessoal deve igualmente muito ao trabalho anteriormente desenvolvido por Roberto Assagioli e por Carl Jung, na Europa. Acresce que o termo "Transpessoal", adoptado por Maslow, foi previamente usado por Emmanuel Mounier (segundo Descamps, 1999), significando "indo além da pessoa"ou transcendendo a pessoa.

Esta foi, desde o início, uma das ideias principais: os autores anteriormente mencionados, e outros como Stanislav Grof, Jim Fadiman, Robert Frager, estavam cientes do facto que muitas pessoas experimentavam estados de consciência invulgares, alguns dos quais implicavam uma expansão intensa do campo da consciência, dos seus conteúdos e mesmo da sua qualidade (a atenção dada a estas experiencias veio não apenas da "revolução psicadélica" nos EUA, quando milhões de pessoas experimentavam estados invulgares de consciência induzidos por alucinogénios, nos anos sessenta, como também do interesse em "práticas espirituais" tais como Yoga, Tai-Chi, Meditação, Danças de Transe, entre outras. Após tais experiencias, muitas pessoas começaram a questionar o seu sentido de convencional de identidade, acreditando que poderiam aprofundar o seu senso de si mesmos, em direcção ao Eu ou Self "mais profundo" ou alma. Alguns destes estados poderiam ser patológicos mas e muitos casos não o eram – as pessoas que os experimentavam relatavam resultados positivos como efeito posterior.

Weil (1976) mostrou que durante expansões positivas da consciência do tipo mais intense – estados de consciência cósmica – os sujeitos se desidentificavam e dissociavam das suas personalidades mundanas normais e sentiam-se imortais e libertos dos limites do espaço e do tempo, cheios de júbilo e profundamente ligados ao Universo. Alguns críticos diriam que isto não poderia passar de uma alucinação; no entanto, a experiencia não produzia usualmente qualquer patologia. Pelo contrário, dava lugar a mudanças positivas com a perda do medo da morte, um senso de gratidão e apreciação pela vida, uma abertura a novas experiências. Não surpreende, assim, que reconheçamos o facto bem demonstrado de que a espiritualidade é importante para os seres humanos e muito saudável. A investigação recente demonstrou mesmo que a espiritualidade pode, de facto, ser muito positiva tanto para a saúde física como mental (Koenig, McCullough & Larson, 2001; Comer, 2004). Um trabalho recente de grande importância é o de Hitchcock & Esposito (2004), em que se estima que cerca de cinco mil milhões de pessoas no mundo pertencem a alguma religião ou têm alguma espécie de crença religiosa.

A psicoterapia Transpessoal está bem preparada para auxiliar as pessoas a lidar com as suas experiencias, dilemas ou crises religiosas ou espirituais (ver, por exemplo, Lukoff, 2011; Geels, 2011). Um bom exemplo do reconhecimento contemporâneo da relevância desta área é a categoria de Problemas Religiosos e Espirituais no DSM-IV.


Vítor José Fernandes Rodrigues, excerto de documento da EUROTAS.


Vítor Rodrigues apresentará um workshop intitulado "Protecção Psíquica- alguns aspectos".

Integra a comissão executiva do Congresso.


 

 
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